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[BIO] DEFALLA

DEFALLA

O DeFalla é uma das bandas mais influentes e cultuadas do rock brasileiro. Formada em Porto Alegre em 1985, a banda construiu uma trajetória marcada pela experimentação sonora, pela irreverência estética e por uma constante mutação musical que atravessou gêneros como punk, funk, rap, heavy metal, eletrônica e MPB [reference:1]. O nome foi escolhido em homenagem ao compositor erudito espanhol Manuel de Falla (1876-1946), sugestão do primeiro baixista do grupo, Carlo Pianta [reference:2].

A banda despontou como um trio formado por Edu K (vocal e guitarra), Carlo Pianta (baixo) e Biba Meira (bateria) [reference:1]. Com essa formação, o DeFalla gravou demos e participou da coletânea “Rock Grande do Sul” (1986), um marco da cena gaúcha [reference:1][reference:2]. Pianta deixou o grupo pouco antes da gravação do primeiro disco, abrindo espaço para a entrada de Castor Daudt (guitarra) e Flávio “Flu” Santos (baixo), ambos da extinta banda Urubu Rei [reference:3][reference:4].

Em 1987, a banda lançou seu primeiro disco, o cultuado “Papaparty”, pelo selo Plug (BMG-Ariola). Gravado no estúdio da RCA em São Paulo com o produtor Reinaldo “Barriga” Brito, o álbum foi descrito como um “caldeirão sonoro” que misturava rock, rap, funk, psicodelia, scratches, samplers e colagens, antecipando tendências que só se consolidariam anos depois [reference:4][reference:3]. Faixas como “Sodomia”, “Não Me Mande Flores”, “Ideias Primais” e “Sobre Amanhã” tornaram-se clássicos. Em votação da revista Bizz, o DeFalla conquistou os prêmios de Melhor LP Nacional e Melhor Grupo de 1987. Biba Meira ficou em segundo lugar como melhor instrumentista, e Edu K, em terceiro como melhor vocalista do ano [reference:3].

Em 1988, o DeFalla lançou o segundo álbum, “It’s Fuckin’ Borin’ to Death”, mantendo a mesma formação. No final daquele ano, Biba Meira deixou o grupo; Castor Daudt assumiu a bateria, e Marcelo Truda entrou na guitarra [reference:2]. Com essa nova formação, a banda gravou o ao vivo “Screw You!” (1989), que marcou uma guinada para o hard rock e o heavy metal. O videoclipe da faixa-título foi filmado ainda com Biba Meira, mas só foi ao ar em 1991 [reference:2].

Em 1990, já como um trio (Edu K, Castor Daudt e Flu Santos), o DeFalla lançou “We Give a Shit (Kickin’ Ass for Fun)” pela Cogumelo Records, selo mineiro que havia lançado os primeiros discos do Sepultura. O álbum tinha sonoridade thrash metal, inspirada em bandas como Anthrax e Suicidal Tendencies [reference:1]. Em 1992, veio “Kingzobullshitbackinfulleffect92”, com a entrada do guitarrista Marcelo Fornazier, considerado o ápice criativo da banda por muitos fãs e pela crítica. O disco foi uma fusão de MPB, rock e funk, puxando para o hip hop, e rendeu novas indicações da revista Bizz nas categorias Melhor Grupo, Melhor Disco e Melhor Vocalista [reference:1][reference:5]. O bom acolhimento do álbum levou o DeFalla a participar do Hollywood Rock de 1993, ao lado de Engenheiros do Hawaii, Red Hot Chili Peppers e Alice in Chains [reference:1].

Após a saída de Edu K para carreira solo, a banda se apresentou com o nome D.Fhala e o vocalista Tonho Crocco, lançando “Top Hits” (1995). Em seguida, as atividades foram temporariamente encerradas [reference:1]. Em 1996, Edu K retomou o nome DeFalla com uma fase mais eletrônica, industrial e glam, conhecida como “Fire”, mas o material nunca foi oficialmente lançado. Na década de 2000, a banda teve breves reuniões e, em 2011, a formação clássica (Edu K, Castor, Flu e Biba Meira) se reuniu para um show histórico no Beco, em Porto Alegre, tocando na íntegra o disco “Papaparty” – reencontro que inspirou o documentário “Sobre Amanhã” (2015) [reference:6][reference:7].

Após 14 anos sem discos de estúdio, o DeFalla lançou “Monstro” (2016), nono álbum da banda, desenvolvido ao longo de quatro anos e com produção de Edu K. O disco contou com a participação de Carlo Pianta e Flávio “Flu” Santos, e recebeu elogios da crítica por mesclar elementos grunge, stoner, funk dos anos 1970 e black music [reference:8]. Em 2024, a banda celebrou seus 40 anos com uma série de shows, incluindo uma apresentação no Bar Ocidente, reafirmando seu legado como uma das bandas mais inventivas e transgressoras do rock nacional [reference:9].

Formações

  • Primeira formação (1985-1986): Edu K (vocal e guitarra), Carlo Pianta (baixo), Biba Meira (bateria)
  • Formação clássica (1987-1988): Edu K (vocal e sampler), Castor Daudt (guitarra e segunda bateria), Flávio “Flu” Santos (baixo), Biba Meira (bateria)
  • Formação (1989-1990): Edu K (vocal), Castor Daudt (bateria), Marcelo Truda (guitarra), Flávio “Flu” Santos (baixo)
  • Formação (1990-1992): Edu K (vocal), Castor Daudt (bateria), Flávio “Flu” Santos (baixo), Marcelo Fornazier (guitarra)
  • D.Fhala (1995): Tonho Crocco (vocal), Castor Daudt (guitarra), Flávio “Flu” Santos (baixo), Biba Meira (bateria)
  • Formação atual (reunião da formação clássica, 2011 em diante): Edu K (vocal), Castor Daudt (guitarra), Flávio “Flu” Santos (baixo), Biba Meira (bateria)

Discografia

  • Papaparty (1987, Plug/BMG-Ariola)
  • It’s Fuckin’ Borin’ to Death (1988, Plug/BMG-Ariola)
  • Screw You! (1989, Devil Discos – ao vivo)
  • We Give a Shit (Kickin’ Ass for Fun) (1990, Cogumelo Records)
  • Kingzobullshitbackinfulleffect92 (1992, Cogumelo Records)
  • D.Fhala Top Hits (1995)
  • Monstro (2016, Deckdisc)

Registros selecionados

  • Participação na coletânea Rock Grande do Sul (1986)
  • DVD DeFalla – 25 Anos (show no Beco, 2011)
  • Documentário Sobre Amanhã (2015)

Shows importantes

  • Teatro Renascença (Porto Alegre, 17 e 18 de março de 1987) – shows de consolidação da formação clássica e pré-lançamento de “Papaparty” [reference:10]
  • Canecão (Rio de Janeiro, dezembro de 1987) – lançamento do selo Plug; show arrebatou a crítica e rendeu premiações na revista Bizz [reference:3]
  • Bar Ocidente (Porto Alegre, 13 de janeiro de 1988) – comemoração de um ano do primeiro disco, com repertório de músicas inéditas [reference:11]
  • Circo Voador (Rio de Janeiro) – diversas apresentações nos anos 1990, ao lado de bandas como Pavilhão 9, Planet Hemp, Nação Zumbi e Ultramen [reference:1]
  • Hollywood Rock (1993) – participação ao lado de Engenheiros do Hawaii, Red Hot Chili Peppers e Alice in Chains [reference:1]
  • Beco (Porto Alegre, 2011) – reencontro da formação clássica para tocar “Papaparty” na íntegra [reference:7]
  • Bar Ocidente (Porto Alegre, 2024) – show de 40 anos da banda [reference:9]

Referências

  1. Wikipédia – DeFalla [reference:1]
  2. Relicário do Rock Gaúcho – “As mutações de Edu K e da banda Defalla” (2013) [reference:2]
  3. Relicário do Rock Gaúcho – “DeFalla: sucesso de crítica, sem aparelhagem para tocar” (1988) [reference:3]
  4. GZH – “Livro conta a história do primeiro disco do DeFalla” (2021) [reference:4]
  5. Relicário do Rock Gaúcho – “DEFALLA comemora show de aniversário” (1994) [reference:5]
  6. Relicário do Rock Gaúcho – “Documentário ‘Sobre Amanhã’ destaca a importância da banda DEFALLA” (2015) [reference:6]
  7. GZH – “Formação clássica do DeFalla se reúne para tributo ao primeiro disco” (2011) [reference:7]
  8. Wikipédia – Monstro (álbum de DeFalla) [reference:8]
  9. Disconecta – “DeFalla 40 anos no Ocidente!” (2024) [reference:9]
  10. Relicário do Rock Gaúcho – “DeFalla: Radicalismo Dosado” (1987) [reference:10]
  11. Relicário do Rock Gaúcho – “Defalla comemora bom ano no Ocidente” (1988) [reference:11]

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