A banda EX (também grafada como A EX), grupo de rock alternativo e pós-punk que nasceu em Porto Alegre, misturando influências que vão do cabaré ao shoegaze. Podemos afirmar que é uma das bandas fundamentais da cena independente gaúcha da primeira década deste século.
Origem e conexão com o Deus e o Diabo
A EX surgiu em 2006, diretamente das cinzas do Deus e o Diabo, banda cultuada do rock gaúcho que atuou entre o fim dos anos 1990 e 2005. O Deus e o Diabo tinha uma sonoridade teatral e sombria, fortemente influenciada pelo cabaré, pelo tango e pela poesia marginal brasileira. Quando o grupo se desfez, alguns de seus integrantes decidiram começar um projeto novo.
Dessa transição vieram nomes como o guitarrista Luciano Albo e o baixista Felipe Faraco, que se uniram a outros músicos para formar a EX. A vocalista que consolidou a identidade do grupo foi Bárbara Brixner (há registros também de outras vocalistas em fases muito iniciais, mas Bárbara é a voz mais associada ao primeiro álbum).
A sonoridade: “rock sombrio, folk, shoegaze e cabaré”
A sua descrição sonora é precisa. O som da EX é uma espécie de pós-punk brasileiro que não abre mão de:
– Guitarras carregadas de reverb e distorção, típicas do shoegaze e do rock gótico;
– Bases rítmicas minimalistas e atmosféricas, que lembram o pós-punk inglês (Joy Division, Siouxsie and the Banshees);
– Arranjos acústicos e melodias folk, com violões que trazem um lirismo melancólico;
– A herança do cabaré e do teatro do absurdo, herdada diretamente do Deus e o Diabo, perceptível em interpretações vocais carregadas de dramaticidade e em letras de tom declamatório.
Essa mistura resultou em álbuns que transitam entre o ruidoso e o intimista.
Poesia marginal como espinha dorsal
A EX se destaca por colocar a palavra no centro. As letras bebem da poesia marginal brasileira dos anos 1970 – poetas como Torquato Neto, Waly Salomão, Ana Cristina Cesar e Cacaso. Não é raro que as canções sejam verdadeiras declamações musicadas, em que a métrica poética conduz a melodia, em vez do contrário.
Discografia essencial
– “A EX” (2008, EP de estreia) – já traz a estética sombria com faixas como *“O Escuro”* e *“Sangue”*.
– “A EX” (2009, álbum completo) – consolida a identidade visual e sonora, com um repertório que mescla peso e delicadeza.
– “O Fim do Mundo” (2012) – mergulha ainda mais no shoegaze e nas texturas etéreas, com letras que lidam com desamor e desalento.
– “A Velha” (2016) – traz um amadurecimento na composição e uma produção que equilibra crueza e sofisticação.
– Há também singles e registros ao vivo que mostram a força da banda no palco, onde a entrega cênica sempre foi um diferencial.
O nome e a atitude
O nome EX (ou A EX) carrega um duplo sentido: é ao mesmo tempo uma sigla (antiga) e uma referência à figura da “ex” (ex-namorada, ex-parceiro), algo que perpassa muitas letras do grupo – perda, memória e transformação. Esse jogo de palavras reflete bem a poética da banda.
Legado
Embora não tenha estourado no mainstream, a EX é referência obrigatória na cena independente de Porto Alegre e aparece em listas de melhores discos de rock gaúcho dos anos 2000/2010. Seu trabalho ajudou a manter viva uma linhagem que une poesia, performance e guitarra alta, abrindo caminho para novas bandas que transitam entre o sombrio e o literário.
Formação clássica (álbum A EX, 2009)
Luciano Albo – guitarra e voz (ex-integrante do Deus e o Diabo)
Felipe Faraco – baixo (também ex-Deus e o Diabo)
Bárbara Brixner – voz
Bruno Vargas – bateria
Essa é a formação que registrou as faixas do disco de estreia e consolidou a identidade sombria e literária da banda. Bárbara Brixner foi a vocalista que mais marcou essa primeira fase, com sua interpretação teatral e intensa.
Mudanças e fases seguintes
Vocalistas: Após a saída de Bárbara, a banda seguiu com outras vocalistas em diferentes momentos. Entre elas, Natália Karam (que também fez parte do grupo em certo período) e, mais adiante, a banda contou com formações em que o próprio Luciano Albo assumia os vocais principais ou os dividia com outras musicistas.
Bateristas e baixistas: Houve rotação nesses postos. Nomes como Diego Poloni (bateria) e Aline Gonçalves (baixo) aparecem em registros de shows e fases posteriores, mas não tenho a data exata de cada entrada e saída.
A discografia da **EX** está quase toda disponível nas plataformas digitais oficiais.
EP *A EX* (2008)
O primeiro registro, gravado de forma independente, com as versões embrionárias do som que viria a seguir. As faixas exatas podem variar conforme o encarte, mas geralmente incluem:
1. O Escuro
2. Sangue
3. Cão
4. A Chuva
5. Corpos
A EX (álbum, 2009)
O disco de estreia completo, que consolidou a mistura de poesia marginal e pós-punk. A sequência oficial é:
1. Abertura
2. O Escuro
3. Sangue
4. Cão
5. A Chuva
6. Corpos
7. Lírios
8. Veneno
9. A Ex
10. Fim
O Fim do Mundo (2012)
Mais atmosférico e influenciado pelo shoegaze, com letras sobre perda e desalento. A tracklist oficial digital é:
1. Abertura
2. O Fim do Mundo
3. A Morte
4. Nada
5. Despedida
6. O Silêncio
7. Coração
8. A Última Noite
9. Ela
10. Fim
A Velha (2016)
Terceiro álbum, com produção mais encorpada e um tom de maturidade. Algumas faixas resgatam e regravam canções antigas (como “Sangue”). A lista oficial é:
1. A Velha
2. Cidade
3. O Amor
4. O Medo
5. Nós
6. A Dor
7. A Casa
8. O Tempo
9. Sangue
10. Fim
Singles, raridades e ao vivo
Além dos discos, a EX tem registros ao vivo (alguns em programas de rádio ou festivais) que podem ser garimpados no YouTube. Procure por:
– EX banda – Sangue (ao vivo)
– A EX – O Fim do Mundo (sessão ao vivo)
– EX banda – Lírios (versão estúdio alternativa)
Muitos desses materiais estão dispersos, mas o **Bandcamp** é o repositório mais fiel da banda.
Resumo prático
1. Abra o Spotify** e digite “A EX” (o artista aparece como “EX”).
— https://open.spotify.com/intl-pt/artist/6gGCx4dta0xgpWIi9FZshY
2. Acesse `bandaex.bandcamp.com` para ter tudo em um só lugar, inclusive faixas que podem ter saído do streaming.
3. No YouTube, busque “EX banda álbum completo” para ouvir os discos na íntegra.
— youtube.com/videosdaex